Mesmo com imposto de 35%, montar elétrico chinês no Brasil sai mais barato

Montar carro elétrico chinês no Brasil ainda é vantajoso com tributo de 35%

As alterações nas regras de tributação automotiva continuam gerando debates intensos entre as empresas do setor no país, dividindo opiniões sobre os impactos econômicos das novas alíquotas.

Impacto das novas alíquotas de importação

O cronograma oficial estabeleceu a taxa de 35% para a entrada de automóveis eletrificados semidesmontados, conhecidos como SKD, desde o dia 1º de julho de 2026. A partir do dia 1º de janeiro de 2027, a mesma regra passará a valer para os modelos completamente desmontados, os chamados CKD.

Regras de cotas e mercado

Outro ponto que alimentou as discussões foi a liberação, pelo governo federal, de um teto de R$ 2,4 bilhões em cotas para que as companhias tragam os kits SKD e CKD com imposto zero durante o período de seis meses, contado a partir de julho. As empresas que excederem esse limite precisarão seguir o cronograma padrão de aumento tarifário.

Viabilidade da produção nacional versus importação

Especialistas apontam que a taxação de 35% sobre os veículos desmontados não elimina a competitividade dos automóveis chineses, mas diminui as margens de lucro. Algumas marcas já confirmaram que a operação continua vantajosa mesmo com o imposto adicional.

“É economicamente defensável dizer que, para determinados modelos e volumes de produção, a conta ainda fica mais favorável à importação de peças ou subconjuntos prontos da China”, explica Milad Kalume Neto, diretor executivo da K.Lume Consultoria.

Cálculos e projeções econômicas

Na simulação apresentada pelo consultor, utilizando um veículo elétrico com custo industrial base de R$ 100.000, a importação em formato de kit desmontado — com 85% de conteúdo estrangeiro e 15% nacional, somada à taxa de 35% — resultaria em um custo final de R$ 135.000. Por outro lado, fabricar o mesmo modelo no Brasil com 50% a 70% de componentes locais exigiria investimentos maiores e custos indiretos elevados, elevando o valor para uma faixa entre R$ 145.000 e R$ 175.000.

Perspectivas para o mercado automotivo

“É provável que exista uma breve corrida de importação e aumento dos emplacamentos antes da virada dos impostos… As maiores marcas segurando os preços para ganhar participação e as menores tendem a perder espaço”, afirma Neto.