A Volkswagen planeja uma guinada importante na identidade visual de seus próximos lançamentos automotivos, deixando de lado as carrocerias intimidadoras para adotar linhas mais acolhedoras. Andreas Mindt, principal responsável pelo design do grupo, fez duras críticas ao mercado atual, marcado por frentes imponentes, faróis afilados e grandes entradas de ar.
Críticas ao visual ameaçador na indústria
Em declaração recente à revista Autoweek, o executivo classificou a busca por um aspecto feroz como incoerente. Segundo ele, algumas fabricantes investem deliberadamente em uma estética intimidadora sob a justificativa de que veículos com essa postura intimidam outros motoristas, facilitando ultrapassagens no trânsito.
O projetista questionou essa lógica e afirmou recusar a ideia de viver em um cenário urbano repleto de veículos com cara de poucos amigos. Para ele, além de perder o sentido prático, esse apelo visual agressivo acaba acirrando rivalidades desnecessárias nas ruas europeias.
Impacto na transição para veículos elétricos
O momento coincide com a migração para a eletromobilidade, e o chefe de estilo acredita que o automóvel não deve funcionar como um instrumento de polarização moral entre condutores de elétricos e proprietários de modelos a combustão. A meta é criar uma atmosfera convidativa que estimule a adesão popular às novas tecnologias de forma harmoniosa.
A estratégia visual da família ID, dedicada aos eletrificados, também passará por ajustes. Os primeiros integrantes apostaram tanto em um ar futurista que acabaram rompendo drasticamente com o DNA histórico da construtora.
Retorno de controles físicos e futuro da marca
O próprio projetista admitiu que o antigo ID.3 perdeu a essência da fabricante alemã. Para corrigir essa distorção, o inédito ID.3 Neo e o futuro ID. Polo seguirão preceitos mais tradicionais. No habitáculo, as cabines voltam a priorizar comandos físicos tradicionais, atendendo a pedidos dos consumidores que criticavam o excesso de telas e superfícies touch.
Apesar da nova diretriz para a marca principal, o conglomerado manterá o estilo agressivo em divisões específicas onde a esportividade extrema faz parte da identidade comercial, a exemplo de Lamborghini e Cupra. O executivo, que assumiu a chefia global de estilo da companhia em março, prepara o sucessor do ID.4 — cotado para se chamar ID. Tiguan — como um dos próximos a estrear a filosofia visual mais amigável.






